Milton Leite é transferido para CDP de Guarulhos após suspeitas de regalias na prisão
Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo estava detido em Mogi das Cruzes; investigação do Ministério Público levou ao afastamento de cinco agentes públicos e à apreensão de dinheiro.
Publicado em 21 de outubro de 2026, 09:32 — Em São Paulo

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, foi transferido na manhã de ontem, terça-feira dia 20, para o Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos, após permanecer na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. A mudança ocorre em meio à investigação sobre possíveis regalias concedidas a presos na unidade prisional.
A transferência foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária. Em manifestação divulgada em 20 de outubro de 2026, a defesa do ex-vereador negou que ele tenha recebido tratamento privilegiado e afirmou que a mudança de estabelecimento não decorre de elementos da investigação que motivou sua prisão temporária.
Investigação sobre regalias levou ao afastamento de cinco agentes
A apuração sobre possíveis irregularidades na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes resultou no afastamento de três delegados, um investigador e um carcereiro que atuavam no município.
Na última sexta-feira, dia 16, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público, cumpriu três mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram na cadeia pública, no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e em um endereço residencial na cidade.
Segundo as informações reunidas na investigação, a unidade prisional recebia um fluxo frequente de visitantes, incluindo pessoas sem vínculo familiar com os detentos. O Ministério Público também apura a existência de outros possíveis benefícios incompatíveis com as condições de custódia.
Dinheiro foi apreendido na casa e com um carcereiro
Durante as buscas, foram encontrados cerca de R$150 mil e US$10 mil na residência de um carcereiro. Outros R$4 mil foram localizados no bolso do mesmo agente durante uma diligência na unidade prisional.
De acordo com o Ministério Público, os fatos investigados podem configurar crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação, entre outras possíveis infrações.
As suspeitas são objeto de investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Defesa de Milton Leite nega tratamento privilegiado
A defesa do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo afirma que Milton Leite estava submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas aos demais custodiados.
Em nota, os advogados argumentaram que o ex-vereador não tem poder para definir as próprias condições de custódia, atribuição que, segundo eles, cabe exclusivamente à administração prisional. A defesa acrescentou que eventuais irregularidades na gestão da unidade não podem ser automaticamente atribuídas à pessoa que está presa.
Os advogados também sustentaram que a transferência para o CDP II de Guarulhos não foi motivada por elementos da investigação que levou à prisão temporária.
Segundo a manifestação, até aquele momento, nem a investigação relacionada à prisão nem a apuração sobre possíveis regalias na cadeia haviam apresentado elementos concretos que indicassem a participação de Milton Leite em atos ilícitos.
A defesa declarou ainda que o ex-vereador respeitará as normas do estabelecimento prisional de Guarulhos e afirmou que ele vem cumprindo as determinações desde que se apresentou às autoridades policiais.
A investigação sobre as possíveis irregularidades na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes busca esclarecer as circunstâncias dos fatos e eventuais responsabilidades. A negativa apresentada pela defesa também integra o contexto da apuração.




