Flávio Bolsonaro é ligado a suspeita envolvendo casa de apostas
Documentos citados pela revista piauí apontam possível participação oculta em empresa autorizada no governo Cláudio Castro.
Publicado em 21 de outubro de 2026, 15:17 — Em São Paulo

Documentos obtidos no Brasil e em Portugal pela revista piauí levantam suspeitas de que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, possa ter sido sócio oculto da Best Bet, empresa de apostas que recebeu autorização da Loterj durante o governo de Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro.
A investigação ganhou novos elementos após a identificação de Flávio como um dos dois usuários master de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira e ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Segundo as informações divulgadas, esse tipo de acesso permitia consultar movimentações financeiras, autorizar transferências e administrar permissões e limites de outros usuários.
A Alcazar também mantinha relações financeiras e administrativas com a Cathedral Holdings, apontada como controladora da Best Bet. Registros contábeis de 2025 indicam que a Cathedral tinha aproximadamente 984 mil euros a receber da Alcazar, enquanto a outra empresa registrava uma dívida de valor semelhante. A proximidade dos valores reforça a suspeita de que as companhias funcionavam de maneira financeiramente integrada, embora não comprove, por si só, a participação societária de Flávio na casa de apostas.
A Polícia Federal reuniu novos elementos sobre as relações entre as empresas após a divulgação das informações sobre o acesso do senador à conta bancária. A suspeita de participação oculta, contudo, depende da análise do conjunto de documentos e de outros elementos capazes de esclarecer a natureza dos vínculos financeiros.
Licença, restrições e encerramento
A Best Bet obteve autorização da Loterj em 2023 e chegou a operar em todo o território nacional. Com a regulamentação federal do setor de apostas, em 2024, a empresa perdeu a possibilidade de atuar nacionalmente.
Em janeiro de 2025, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a operação ficasse restrita ao estado do Rio de Janeiro. A casa de apostas encerrou as atividades em meados daquele ano. Quatro meses depois, Flávio deixou de constar como usuário master da conta da Alcazar, conforme os registros mencionados na reportagem.
A sequência de acontecimentos chama a atenção para as relações entre empresas de apostas, estruturas empresariais no exterior e figuras políticas. Ainda assim, os vínculos descritos não constituem, isoladamente, prova de sociedade oculta ou de irregularidade cometida pelo senador.
Apostas e influência política em debate
As revelações também levantam questionamentos sobre o alinhamento de empresários do setor de apostas à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e sobre os interesses econômicos envolvidos nessa aproximação. Para estabelecer se existe relação entre os vínculos empresariais investigados e o apoio político, porém, são necessárias evidências específicas.
O caso coloca em pauta a transparência das relações entre agentes públicos e empresas privadas, especialmente em setores que dependem de autorizações governamentais e estão sujeitos à fiscalização.
Quais mecanismos de transparência e controle são necessários para impedir conflitos de interesses entre políticos e empresas reguladas pelo poder público? E até que ponto as relações financeiras reveladas justificam uma investigação mais aprofundada sobre possíveis interesses empresariais por trás do apoio político? São questões que exigem apuração rigorosa, evidências verificáveis e esclarecimentos dos envolvidos.




