EUA ampliam tarifaço e Brasil pode sofrer taxa de até 37,5%
Nova medida de Washington cita combate ao trabalho forçado e aumenta pressão sobre exportações brasileiras.
Publicado em 24 de julho de 2026, 18:54 — Em São Paulo

Os Estados Unidos devem anunciar nesta quinta-feira (23) uma nova rodada de tarifas comerciais que poderá atingir mais de 60 países, entre eles o Brasil. A medida foi confirmada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, e será detalhada pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer.
O novo pacote substituirá a tarifa global temporária de 10%, em vigor desde o início de 2026, e que expira nesta sexta-feira (24). Desta vez, as alíquotas serão definidas com base em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas dos países analisados.
Para o Brasil, a proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5%. Como o país já é alvo de uma sobretaxa de 25% anunciada anteriormente pela administração de Donald Trump, a carga tarifária sobre determinados produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%, ampliando a pressão sobre setores exportadores.
As investigações foram abertas em março deste ano com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o USTR, o objetivo é avaliar se os países adotam mecanismos eficazes para impedir o uso de trabalho forçado na produção de bens destinados ao mercado internacional.
De acordo com a proposta apresentada pelo órgão, países que proíbem a importação de produtos ligados ao trabalho forçado ou que assumiram compromissos formais para combater essa prática por meio de acordos comerciais poderão ser submetidos a uma tarifa de 10%. Já as nações que, na avaliação dos Estados Unidos, não possuem instrumentos considerados suficientes, caso do Brasil; estarão sujeitas à alíquota de 12,5%.
Se confirmada, a medida deve ampliar os desafios para a indústria brasileira, especialmente em segmentos com forte dependência do mercado norte-americano. Além do impacto sobre a competitividade dos produtos nacionais, o novo tarifaço tende a elevar as tensões comerciais entre Brasília e Washington.
Mais do que uma disputa tarifária, o episódio evidencia como questões trabalhistas, ambientais e geopolíticas passaram a ocupar espaço central nas relações comerciais internacionais. O desafio para o Brasil será equilibrar a defesa de seus interesses econômicos com a necessidade de preservar canais de diálogo diplomático, em um cenário no qual barreiras comerciais se tornam, cada vez mais, instrumentos de pressão política e estratégica.
Redatora: Amanda Mendes



