André Weiss, ex-diretor da Fazenda de São Paulo, foi promovido duas vezes antes de ser preso
Ex-número 3 da Secretaria da Fazenda chegou ao alto escalão do governo Tarcísio de Freitas em apenas sete meses e é investigado por suspeita de envolvimento em esquema de propina.
Publicado em 6 de setembro de 2026, 23:59 — Em São Paulo
Preso preventivamente no último dia 03 desse mês, o ex-diretor da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, André Weiss, foi promovido duas vezes em um intervalo de apenas sete meses durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Antes de chegar ao alto escalão da pasta, Weiss atuava como Delegado Regional Tributário em Jundiaí. Em abril de 2023, assumiu o comando da Diretoria de Fiscalização e, em novembro do mesmo ano, foi nomeado Diretor-Geral Executivo da Administração Tributária, chegando a ocupar o terceiro posto mais alto da estrutura da Fazenda paulista.
Na quinta-feira, dia 03, data da prisão de Weiss, o governador Tarcísio de Freitas comentou a ascensão do então servidor dentro da secretaria. Segundo ele, a mudança ocorrida em 2023 foi motivada pela necessidade de substituir uma pessoa que também estaria envolvida em problemas.
“Em 2023 houve uma substituição nesta posição porque tinha uma pessoa que também estava envolvida em problema. E aí, preventivamente, se fez essa substituição. Esse senhor assumiu essa posição”, afirmou o governador.
Em nota, a Secretaria da Fazenda informou que André Weiss perdeu o cargo de chefia em 29 de maio e que, desde o último dia 3 de setembro, está afastado de suas funções e sem receber remuneração.
A pasta informou ainda que o ex-diretor responde a um processo administrativo que pode resultar em sua demissão a bem do serviço público.
Operação Ícaro
O afastamento de Weiss está relacionado às investigações da Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos, do Ministério Público de São Paulo.
Ao todo, 23 servidores estão afastados sem remuneração após o avanço das investigações.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Weiss teria recebido propina desde que assumiu a chefia da Diretoria de Fiscalização. Em troca, teria mantido o ex-delegado tributário Paulo Prado, conhecido como PP, em uma unidade localizada no Butantã, na zona oeste da capital, onde funcionava um esquema envolvendo ressarcimentos de ICMS.
Paulo Prado permaneceu lotado no local até se aposentar, em 2024.
Ainda conforme as investigações, o então número 3 da Fazenda paulista receberia uma mesada de R$250 mil. A propina seria paga pelo advogado João Buttini diretamente a Paulo Prado, e o dinheiro, em espécie, era transportado em mochilas.
As entregas, segundo o Ministério Público, ocorriam em restaurantes e cafés de alto padrão na região de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.




